Coisa bonita de se ver.

Mamis e Ninina.
Minha mãe foi mãe muito cedo. Aos 19 anos, ela casou grávida com o primeiro namorado dela, meu pai. Nasceu meu irmão, depois de 1 ano, nasceu minha irmã e, três anos depois eu nasci. Todo mundo em São Luís. Uma família linda, com filhos saudáveis e pais apaixonadamente apaixonados.
Mamãe sempre viveu para os filhos. Essa coisa de acordar cedo pra lavar o chão que íamos pisar, ter sempre roupas limpas, comida gostosinha de mãe, isso sempre foi tão dela que nem parecia que ela fazia aquilo por amor aos filhos. Pior que fazia, já que minha mãe odeia uma cozinha, foi criada para bordar, costurar, fazer sapatinhos de lã, e a ter arrepios de medo de cozinha. Isso ela carrega até hoje, gente. Gracinha.
Eu sempre fui mais apegada ao meu pai. Talve por ser a caçula, pela gravidez ter sido complicada, e certamente por amor a primeira vista mesmo, eu sou doente de amor por ele. Minha mãe sempre foi mais apegada aos meus irmãos mais velhos, e à minha irmã em especial. Mamãe sonhava em ter uma filha. Ela já tinha nome, dois nomes, sendo que um deles papai não gostava porque era falado numa música que ele não tinha simpatia. Mudou-se o nome da criança, de Silvia Letícia para Silvia Andrea. E eu seguia ali, grudada com o meu pai. Um ano qualquer da vida, meu pai foi embora e eu me vi sem ele, e estar sem ele era estar sem alguém em que confiar. Minha mãe era minha mãe, mas era diferente. Tudo com ela era diferente. Parece que eu reaprendi a ser eu, entende? Tive que me readaptar, porque meu pai e minha mãe são criaturas totalmente diferentes.
Minha mãe é introspectiva, silenciosa, calada, indiferente a algumas coisas, emoções contidas e delas. Meu pai é extroversão em excesso, conversador, sonhador, romântico, acha que a vida é linda e o mundo é perfeito. Ainda bem que eu tenho um pouco dos dois, todos nós temos, saímos deles!!! Mamãe é canceriana, o signo mais mãe do zodíaco. Papai é capricorniano, o signo mais sonhador. Mamãe conquista com um sorriso de canto de boca. Papai com um abraço de fazer você sufocar. Agora deu pra vocês entenderem onde eu me meti, né? Pois é.
Minha mãe descobriu no sábado que vai ser avó. Silvia vai ser mãe de uma menina ou de um menino, e essa notícia veio como um bálsamo em nossas vidas. Uma criatura pra fazer a gente sentir amor, medo, preocupação, felicidade, raiva, saudade, carinho, zelo. Uma criatura que, daqui há uns tempos, abrirá os braços e dirá “vovó te amo”, “vovô você é legal!”, “titia vai não!”, “olha o au au!”, essa pessoa que vai entrar no meu quarto e me dar o sorriso de bom dia mais lindo do mundo, que vai ficar dodói e preferir dormir com a mãe dele, que um dia vai birrar e o vovô levar pra passear na calçada, e simplesmente aquela pessoa que vai nos fazer enxergar que Deus age em nossas vidas quando menos esperamos. E Ele, mais uma vez, vem até nós dizer que só conseguimos encontrar a verdadeira felicidade e o verdadeiro amor quando estamos juntos, pais e filhos, fazendo de muitos, um só. E é o nosso amor que vai chegar, daqui há 8 meses.