.olhos e ouvidos abertos

Amores possíveis.

Publicado em amor, música, sorvete por cyn costa em Terça-feira, 21 Outubro, 2008

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.”

Keane. Sempre, sempre ele.

Meu amor é seu. De hoje em diante.

Mensagem subliminar. Adoro.

Nova pessoa.

Publicado em amor, música, saudade por cyn costa em Sexta-Feira, 3 Outubro, 2008

Nunca acreditei na idéia de que estamos aqui para sermos as mesmas pessoas, todos os dias, em todas as ocasiões, munidas de controle remoto e aptos a darmos stop quando algo foge ao nosso controle. Se nascemos, crescemos, envelhecemos, é porque algo implícito faz girar o ciclo da vida e nos mostra as facetas de estarmos aqui. Não acredito no acaso, acredito nas coincidências e que determinadas situações são formadas justamente pelo nosso crescimento espiritual. Fico profundamente incomodada quando acham que, por eu ser sempre tão passiva, eu sou otária. Nem eu me conheço a ponto de saber se sou otária ou não, imagina uma criatura que não está aqui dentro pra saber. Poucas pessoas me conhecem como eu quero, poucas pessoas sabem o que sente meu coração, nenhuma delas sabe quem eu sou e o que existe dentro de mim. Todos nós temos segredos e eles são só nossos. Daqui há um tempinho chego na casa dos 30 e, quano olho pra vida que eu vivi, me arrependo. De ter amado só uma vez, de ter chorado por gente que não mereceu, por ter desejado o mal, por me apaixonar por quem eu não devia, por ter preguiça, por nunca ter gostado de cebola, de pimentão e nem de azeitona, de não ter jogado tudo pro alto pra viver meu grande amor, de não ter estourado meu cartão de crédito comprando passagem aérea, de estar feliz e sorrindo sem caber de tanta felicidade, mesmo com fome, de não ter raspado a minha cabeça, de não ter pedido desculpas aos meus amigos que estiveram comigo em momentos tristes, de não ter beijado minha avó quando ela se foi, de não dizer a cada um o quanto eu os amo. Aí olho pra frente e percebo mais uma vida que me espera, cheia de possibilidades e de incertezas. Eu me dou bem sozinha, eu gosto de mim, e acho pouco provável que isso vá mudar um dia. Quando abro a tela da minha vida e do que eu quero pra mim, só sei de uma coisa: quero me apaixonar perdidamente por alguém, quero sentir o frio na barriga sempre que ele chegar, quero abraçá-lo como se aquele fosse o último abraço, quero que ele seja minha felicidade, não precisando ser só meu. Não precisa se preocupar, eu odeio dormir de conchinha!

Keane, a banda preferida. SEMPRE!