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Difícil escolher um título pra uma coisa que não tem endereço, local, idade, sentimento, vergonha, amor, fome, escola, amigos, sexo, internet. Eu não sei que porra é essa que me tá acontecendo comigo, justo eu, que sou sempre tão centrada no que eu quero fazer, justo eu, que programei minha vida nos próximos 5 anos, justo eu, que não sou de invejar a vida alheia.
Quero outra vida. Não sei se tô feliz, se tô triste, se tô realizada, se tô frustrada. Não tô preocupada com o meu português, quero concordar as palavras do meu jeito. Alguma coisa vai mudar no mundo se eu escrevo errado?
Quero ser vegetariana. Não quero mais comer ser vivo, bichos que alegram meu dia, que são sagrados pra uns, 1 quilo de picanha pra outros. Me sinto parte importante e determinante da carnificina animal mundial.
Quero um novo cabelo. Cabelo grande não dá, é feio, brega, comum e simples. Como café preto com pão. Totalmente sem graça mas dá pra passar. Meu rosto é oval, meu busto é lindo, meu pescoço é chique e eu cansei da minha cara de todo dia no espelho.
Quero fugir. Pegar uma mochila que eu ainda não tenho, encher com as poucas roupas que me pertencem e sair por aí, sem destino. Só sei o rumo: nada de região Norte, Nordeste. Quero ir pro Sul. Quanto mais longe, melhor. Duas pirralhas conseguiram, por que eu não consigo? Troço vai comigo. Mas nada de imprensa ou fotos nossas na TV. Já somos maiores de idade e nossos pais vão agradecer se sumirmos nesse mundão. Prometemos mandar cartões e camisetas “Passei por aqui e lembrei de você”.
Quero viver de luz. Luz do dia, luz de abajur, luz dos olhos, luz do sol, luz de qualquer coisa. Quero sentir a felicidade e energia de acordar todo dia com esse calor do inferno.
Quero fim pra essa sensação estranha. Quero respostas pra minhas dúvidas. Quero emoções que eu ainda não vivi. Quero mais dinheiro pra me tornar uma consumista. Quero acreditar que tudo isso não passa de uma fase estúpida e escrota que só vem pra me desafiar e pôr em cheque a minha fragilidade e uma necessidade que eu insisto em esconder.
Quero fim a essa sensação estranha.
Quero começo pra um novo dia.
Quero comer alguma coisa bem diferente.
Quero uma cerveja.
Vou ali fazer um café, ler uma revista, ouvir uma música.