p.s: 08.07.2005
Trago a sensação de que ele sempre está ao meu lado, apesar disso nunca ter acontecido.
De manhã, na preguiça de acordar com um dia chuvoso, pedindo um cobertor e alguém pra aquecer, ele me vêm e, cheio de amor, beija minhas costas dizendo que já é hora de levantar. Olho nos seus olhos e vejo a sua primeira declaração de amor. Por longas e intermináveis horas, as declarações surgem a todo momento, das formas mais inusitadas e autênticas. “Ao meu lado tem uma garota com o anel igual ao seu”, “Engraçado, tomei sorvete de tangerina!”, “Amor, tô levando pão de arroz e leite de soja pra você”, ” Bora comer suflê de cebola amanhã?”. Ah, meu coração explode de felicidade e de conforto. Amar é fazer parte, é estar junto, é pensar que sua vida seria insuportável sem isso, uma dor que dói e sufoca só de imaginar.
Em dias de chuva, sentamos em frente à tv e ali ficamos, por horas, quietos e distantes do que se passa na telinha. O que importa é o toque, o cheiro, o conforto, as mãos dadas, os pés enroscados e gelados, o abraço que ele me dá, as piadas sem graça que me conta mas acabo sorrindo para vê-lo feliz, a vontade de ganhar dinheiro sem fazer nada, o cochilo que tira com o rosto no meu pescoço depois de sussurrar por zilhões de vezes que odeia aquele filme água com açúcar, quando aperta minha mão enquanto dorme por medo que eu saia de perto, o aconchego definitivo para mais uma noite abraçados.
Em dias de domingo, reinamos absolutos e infinitos. Eu sou dele e ele é meu. Não há nada no mundo capaz de dimensionar essa força que nos leva a desejar só um, a amar só um, a querer só o abraço de um, a querer só ele. E tudo perde a graça se não for com ele, se não for a voz dele, a música dele, a revista dele, o lençol dele, o pijama dele, a cama dele, o gosto dele, o sorriso dele, o nariz dele, o beijo dele.
Mesmo nunca tendo vivido isso de verdade. É amor mesmo de longe.
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